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As diferenças como princípio

Afirmar as diferenças é um dos princípios básicos do CSD. E dos mais pertinentes diante do quadro crescente de intolerância que assombra o mundo atual.

Educacionalmente, ele é trabalhado com crianças e adolescentes tanto do ponto de vista conceitual como nas experiências de interações com as singularidades que caracterizam cada um de nós. Assim, convivem estudantes do bairro de Perdizes e arredores, estudantes filhos de professores e de funcionários da escola, brancos, pardos, orientais e – menos comum, infelizmente – indígenas. Agrupamos alunos de idades diferentes sistematicamente no Semi-integral e com frequência no ensino regular também. O respeito à diversidade de orientações de gênero é motivo de reflexão entre professores e alunos, o que estimula a formação de grupos de estudos e seminários com a possibilidade de envolvimento de familiares.

Por tudo isso também, os diferentes regimes de verdades produzidos por campos distintos de conhecimento e mesmo no interior de cada área de saber são expostos e debatidos, resultando dessa orientação pedagógica uma educação que não aceita ortodoxias, nem cede às simplificações e pragmatismos.

Literaturas, pensamentos, produções artísticas e científicas, mitologias de matrizes culturais muito diversas estão presentes dentre as fontes que utilizamos para evidenciar o cultivo da pluralidade.

Com esse traço, o CSD se insere no quadro do ensino básico formal de maneira também bastante singular, o que serve como antídoto a quaisquer “histórias únicas”. A polifonia é a regra.

A dinâmica social anti-exclusão

Vários setores da sociedade se articulam, sensíveis à necessidade de reduzir as desigualdades de oportunidades para que as diferenças que importam possam vir a ser valorizadas em condições mais equânimes. Essa sensibilidade concerne ao CSD, há tempos.

Dessa matriz, mais recentemente, foram renovados clamores para a busca de equidade racial também nas escolas particulares. Necessário e justo!

Tão justo que faz parte de nosso planejamento estratégico a adoção de medidas que visam à ampliação de presença de negros e povos originários em nossa Comunidade. É certo que, dentre as escolas privadas mais conhecidas da zona oeste de SP, o CSD já se destaca pelo número de negros entre funcionários, educadores e alunos.

De tais medidas em projeção constam:

  • manutenção da prioridade de matrícula com gratuidade para filhos de funcionários.
  • priorização de matrícula para alunos negros ou integrantes de povos originários.
  • projeto de acolhimento de alunos negros ou integrantes de povos originários de baixa renda.
  • priorização para negros e integrantes de povos originários cotistas de universidades públicas na contratação de estagiários.
  • cota de gratuidade nos programas de formação de professores proporcionados pelo CSD para negros ou integrantes de povos originários egressos de universidades públicas em que foram cotistas.
  • continuidade da formação permanente dos educadores para refletir conceitualmente sobre a temática das diferenças e para aprimorar práticas educativas que incluem abordagens culturais e epistemológicas afro-brasileiras (atividades em desenvolvimento: Seminários sobre Afirmação das diferenças – USINA Com Vida; participação dos professores em curso sobre História do Atlântico Sul, que propõe pensar Brasil a partir de sua articulação com África, desde a colonização, ministrado pelo renomado historiador Luis Felipe de Alencastro; encontros de estudos da Filosofia da Diferença, com o filósofo Peter Pál Pelbart) .

Em diálogo com o Núcleo pela Equidade Racial, formado por familiares de nosso Colégio, grupo que tem desenvolvido ações com os mesmos objetivos das medidas projetadas institucionalmente, certamente teremos contribuições significativas para colocar em prática nosso projeto de mitigar desigualdades sociais e raciais em nossa realidade.

Nada grandiloquente, nenhuma campanha de utilização dessas ações como marketing social, nenhuma ilusão de que corrigiremos as desigualdades radicalmente com nossas iniciativas. Importa-nos afinar a coerência da prática educativa com nossos princípios fundantes e realizar com honestidade nosso compromisso social.

Juntos fazemos a diferença!

Veja aqui o retrato feito em 2022 do CSD quanto à sua composição étnico-racial.